A memória é uma rede neural que guarda informações e as aloca em diferentes partes do cérebro. Essa rede é como um conjunto de circuitos que são ativados quando uma imagem, som, emoção ou cheiro correspondente é acessado. Sendo a memória como um circuito, ela se consolida de diferentes formas e em diferentes regiões, de modo que quanto mais elementos houver que sejam associados àquela memória, mais fácil será acessá-la depois. Portanto, se você tentar associar dois ou três estímulos a uma mesma informação, mas eficazmente você tenderá a fixá-la no cérebro.

Por exemplo, você vê a seguinte palavra: “Tennessee” (um dos 50 estados americanos).

Antes de continuar a leitura, tente escrever o nome desse estado num papel, SEM COPIAR, apenas utilizando a memória do que acabou de ler.

Já escreveu? Então continuemos a leitura.

Pode ser que você seja uma daquelas pessoas com memória fotográfica excelente que, num primeiro (ou segundo) olhar, já memorizou e escreveu a palavra corretamente. No entanto, para muitos de nós, se não para a maioria, lembrar palavras com ortografias confusas, ou quaisquer sequências de informações, não costuma ser uma tarefa muito fácil. Provavelmente, utilizando o exemplo acima, você escreveu a palavra incorretamente, achando difícil lembrar onde havia letra dupla e onde não havia.

Porém, se você associar outros dados a essa memória, como uma história, lugar, emoção ou imagem mental, você terá mais caminhos (um aumento do circuito) no cérebro para acessar essa informação depois. Com um pouquinho de imaginação poderíamos, por exemplo, criar a seguinte associação mental para essa palavra:

Imagine que as letras “n” parecem banquinhos, as letras “e” parecem pessoas sorridentes e as letras “s” parecem cobras; então, olhando a palavra “T e n n e SS ee”, você cria uma história: “uma pessoa (e) sentou num banquinho (n) e pegou outro banquinho (n) para a outra pessoa (e) sentar. Estavam as duas sentadas tranquilas nos banquinhos quando, de repente, apareceram duas cobras (ss) e ainda bem que havia duas pessoas (ee), porque foram necessárias duas pessoas para tirarem as cobras de lá!”. É muito mais fácil se lembrar de duas pessoas sentadas em dois banquinhos quando duas cobras aparecem, do que se lembrar apenas da sequência de letras e repetições de letras numa palavra que, a princípio, é neutra para você. E a história ainda agrega emoção (tranquilidade, susto e medo), que fortalece a fixação da memória.

Agora, com essa história em mente, tente reescrever o nome do estado americano novamente, sem voltar e reler o texto acima.

E agora? Escreveu corretamente? Ou, ao menos, mais corretamente que da primeira vez? É muito provável que as novas associações tenham auxiliado nesse processo.

Esse exercício mental não só ajuda a fortalecer a memória de algo em especial, como ainda treina o cérebro para ser mais criativo e ágil na busca de informações, resoluções de conflitos e improvisação, todas habilidades essenciais para o aprendizado de línguas.

Especialistas afirmam que associações que incluam locais e imagens são mais facilmente fixadas na memória de longo prazo que informações de listas aleatórias. Se você precisa, por exemplo, lembrar uma lista com 5 itens, pode ajudar imaginar esses itens dispostos em locais pouco usuais (o local pouco usual ajuda a associar emoção também). Ilustrando: se você tem uma lista de mercado que inclui “sabonete – leite – ovos – azeite – sabão”, imagine o sabonete na geladeira, o leite na escada, ovos quebrados na porta, azeite fazendo uma trilha pela casa e sabão para limpar a sujeira”.

Quanto mais frequente for o acesso a esse circuito de informações associadas a uma memória, mais fixa na memória de longo prazo ela será. Esse é um dos motivos pelos quais a repetição é importante no aprendizado de um idioma.
O Dr. Guilherme Cherpak, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, diz o seguinte: “A memória é um circuito. Quanto mais a gente ativa, seja falando, ouvindo ou lendo, mais sentidos diferentes são ativados”. Ele diz ainda: “Uma memória de longa duração é aquela que a gente estuda, aprende, que ativa nossas emoções, sinalizando para o cérebro que aquela é uma memória para ser guardada”. E, por fim, ele completa: “Para fazer uma memória de longa duração, precisamos de esforço. Estudar, treinar aquele circuito. Quanto mais acessado for, mais a memória estará disponível”.

Vale lembrar que dormir bem (no mínimo 6 horas por noite), alimentar-se de maneira saudável, praticar exercícios e ter atividades de lazer que ajudem a aumentar o bem-estar e a combater o stress são igualmente importantes para uma boa memória.

See you soon!
Oldcastle School of English

Barueri e Osasco – SP